Não Resistência

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A primeira vez que ouvi falar de Yoshitoki Akiyama — segundo os relatos um médico e budoca de Nagasaki (séc. XVII) e percursor da escola Shinto Yoshin Ryu — foi num estágio de Karate Wado Ryu. Conta-se que ao observar os ramos de um salgueiro no inverno, reparou que quando estes estavam carregados de neve se dobravam sob o seu peso, a deixavam cair e regressavam à sua posição habitual. Isto, claro, ao contrário de muitas outras árvores cujo tronco resistente se quebrava sob igual peso. 

Lembrei-me desta história ao reflectir sobre o conceito de não resistência em Aikido, a meu ver um conceito muitas vezes mal entendido por ser confundido com passividade. No fundo, seria como se se dissesse que este princípio postula que um aikidoca, perante o trabalho do seu parceiro de prática, se deva posicionar sem questionar ou reagir a este mesmo trabalho. Como se, após o estímulo inicial, tivesse por obrigação passar a um papel passivo, diria mesmo, acrítico. É a meu ver uma interpretação errada do conceito, muitas vezes fruto de uma má análise por parte de quem não pratica Aikido, mas muitas vezes também, infelizmente, da leitura errada de muitos de nós aikidocas. De alguns que, após uma solicitação, se entregam a uma derrota antecipada e, noutro sentido, porque muitas vezes ao observarmos um movimento tecnicamente errado atribuímos o erro ao tal conceito de não resistência em vez de o lermos como fruto de uma má compreensão técnica. 

O conceito de não resistência é formulado em japonês como “muteiko” (無抵抗). Vejamos o que significa cada um destes caracteres: mu (無) é a negação, o nada, tei (抵) significa resistir e ko (抗) tem o sentido de resistir, mas também de confrontar ou opor. Temos, portanto, que nada no sentido da palavra original implica passividade. É apenas isso mesmo que está nos seus caracteres, ou seja, não resistir ou não opor. Ora, a passividade implica a aceitação de um destino, mas a não oposição não implica tal. A não resistência ou não oposição, pressupõem que perante uma solicitação  eu não lhe resista, mas mantém intacta a minha hipótese de lhe responder ou, no mínimo, de me posicionar perante ela. Isto implica logo à partida que o tal estímulo, ou solicitação, não tenham consequências radicais e me permitam continuar a agir em pé de igualdade. E isso é responsabilidade minha. 

No fundo, tudo isto está escondido debaixo dos nosso olhos, no célebre lugar comum sobre o Aikido: “usar a força do parceiro para o derrubar”. É fácil de ver que ninguém poderá usar uma força à qual resistiu. A resistência ao gesto de um parceiro provocará neste reacções que me impedirão de o usar a meu favor. Por uma razão muito simples: a força inicial já não está lá; já é outra situação. A não oposição, não resistência ou, se quisermos mesmo, a aceitação do movimento do outro, não significa mais do que a sua integração no nosso próprio movimento. E isso eu só consigo se estiver física e mentalmente funcional durante todo o trabalho.

Por fim, não queria deixar de salientar a importância deste entendimento da não resistência na prática de Aikido. Ele é, na minha opinião, fundamental para que em cada técnica se mantenha um determinado fio lógico, desde o seu início até ao seu fim. Se um dos parceiros desiste da acção, ou se coloca desde o início numa posição não funcional, o outro parceiro passará a executar uma coreografia aprendida e nada mais. O movimento será vazio.

João Tinoco

Nota: Evitei falar em ataques propositadamente. Não só porque há diferentes formas de encarar este aspecto de grupo para grupo, mas também porque vejo cada técnica como um diálogo do início ao fim e não como uma mera sequência um ataque > uma resposta. Preferi por isso os termos estímulo ou solicitação que me parece serem mais abrangentes.

COMUNICADO

Dada a evolução da situação da epidemia do vírus Covid-19, tendo em conta as recomendações de todas as autoridades e o bom senso que deve prevalecer nesta situação, o Saya no Uchi decidiu cancelar todas as aulas de Aikido e Jodo no Isshin Dojo até ao final do mês. No mesmo sentido, foi a decisão do Ginásio Clube Português, que encerrou as suas actividades por igual período.

Sempre que haja alguma alteração a esta situação, ela será aqui noticiada.

Estamos certos de que todos compreenderão esta decisão, facto que desde já agradecemos.

Aikido pela Manhã no GCP

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Durante o mês de Fevereiro, nos dias 11, 13, 18 e 20, o Ginásio Clube Português organiza 4 Aulas Abertas de Aikido pela manhã, das 7H30 às 8H30.

As aulas são abertas a todos os interessados, independentemente do nível de experiência.

No caso de haver interessados, este horário poderá continuar, às terças e quintas-feiras das 7H30 às 8H30!

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✔︎ E, claro… Tem que vir experimentar! 🙂

+INFO:
GINÁSIO CLUBE PORTUGUÊS
Praça Ginásio Clube Português, nº 1 | 1250 – 111 Lisboa
www.gcp.pt | (+351) 213 841 580
https://goo.gl/maps/SetTEuco8qqHJHzR9

IISHIN DOJO | Horários 2019 / 2020

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Já estão disponíveis os horários para a época de 2019/2020 no ISSHIN DOJO | LX Factory.

AIKIDO (Aikikai)
2f e 4f | 19H15 > 20H45

AIKIDO (Iwama Ryu)
3f e 3f | 7H00 > 8H00
Sáb. 8H00 > 9H00

AIKIDO CRIANÇAS
2f e 4f | 18H15 > 19H15

SHINTO MUSO RYU JODO
3f | 18H30 > 20H00
Sáb. 11H00 > 12H30

JUDO
3f | 20H00 > 21H30
6f 19H00 > 20H30

YOGA
2f e 5f | 8H30 > 9H30
3f e 5f | 13H00 > 14H00

PILATES
5f | 18H30 > 19H30
6f | 13H00 > 14H00

TAI CHI
Sáb. | 10H00 > 11H00

TENCHI TESSEN
Sáb. | 14H30 > 16H00

SV WORKOUT
2f e 4f | 13H00 > 14H00

DANÇA CONTEMPORÂNEA
5f | 19H30 > 21H00

MEDITAÇÃO
5f | 12H20 > 13H00

Consulte-nos para mais informações.:
www.isshindojo.com | isshindojo.lx@gmail.com
[+351] 918 228 949

Yasuno Masatoshi Shihan – Lisbon 2019

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From the 12th to the 13th October 2019, YASUNO MASATOSHI SHIHAN, 8th Dan Aikikai Honbudojo, will be for the first time in Lisbon, Portugal, for an AIKIDO seminar.

The seminar will take place at Pavilhão do Casal Vistoso, 10 minutes from the Lisbon Airport by car and 25 minutes on subway.

We call your attention to the special Early Bird registration fees that will be available until September the 20th. Please e-mail us for more details.

SCHEDULE
Saturday: 10H30 > 12H30 | 15H30 > 17H30
Sunday: 10H30 > 12H30

FEES
Full Seminar: Early Bird: 60€ | From 20th September: 70€
(Early registrations: saya.uchi@yahoo.com)
Single session: 25€

VENUE
Complexo Desportivo Municipal Casal Vistoso
R. João da Silva, 1900-098 Lisboa
https://goo.gl/maps/Z4rrwsSfEURxACzT8

CONTACT
saya.uchi@yahoo.com | [+351] 918 228 949 (João Tinoco)

FURTHER INFORMATION
https://www.facebook.com/events/395309764649767/

Organized by
SAYA NO UCHI | sayanouchi.wordpress.com
ISSHIN DOJO | www.isshindojo.com

With the support of
FEDERAÇÃO PORTUGUESA DE AIKIDO
CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA

Nos dias 12 e 13 de Outubro próximo, YASUNO MASATOSHI SHIHAN, 8º Dan Aikikai Honbudojo, estará em Lisboa pela primeira vez para orientar um estágio de AIKIDO.

O evento terá lugar no Pavilhão do Casal Vistoso (Areeiro).

Chamamos a atenção para os preços especiais para inscrições antecipadas, que estarão disponíveis até 20 de Setembro. Envie-nos um e-mail para ficar a saber como proceder.

HORÁRIO
Sábado: 10H30 > 12H30 | 15H30 > 17H30
Domingo: 10H30 > 12H30

PREÇO
Estágio completo: Inscrição antecipada: 60€ | A partir de 20 de Setembro: 70€
(Inscrições antecipadas: saya.uchi@yahoo.com)
Aula isolada: 25€

LOCAL
Complexo Desportivo Municipal Casal Vistoso
R. João da Silva, 1900-098 Lisboa
https://goo.gl/maps/Z4rrwsSfEURxACzT8

CONTACTO
saya.uchi@yahoo.com | [+351] 918 228 949 (João Tinoco)

+ INFO
https://www.facebook.com/events/395309764649767/

Organizado por
SAYA NO UCHI | sayanouchi.wordpress.com
ISSHIN DOJO | www.isshindojo.com

Com o apoio de
FEDERAÇÃO PORTUGUESA DE AIKIDO
CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA

Estágio de Aikido com Vicente Borondo

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O SAYA NO UCHI vai realizar nos próximos dias 31 de Maio a 2 de Junho, um estágio de AIKIDO com o seu Director Técnico, VICENTE BORONDO, 6º Dan Aikikai, do Honbudojo, Tóquio. O estágio é aberto a qualquer interessado, de qualquer grupo ou escola.

O estágio incluirá uma Aula Especial de Shinto Muso Ryu Jodo, na sexta-feira dia 31, aberta a todos os interessados

VICENTE BORONDO
Estudou com vários professores da Aikikai, em Tóquio, tendo uma particular ligação a Yasuno Masatoshi Shihan, 8º Dan. É também Menkyo Kaiden de Shinto Muso Ryu Jodo e Kuden da Federação Internacional de Jodo. Depois de viver durante nove anos no Japão, regressou a Espanha onde fundou as associações Aikidojokai e Shinto Muso Ryu Jodo Seiryukai España.

HORÁRIO
Sexta-feira: 17H30 > 19H30 (Shinto Muso Ryu Jodo) e 19H30 > 21H00 (Bukiwaza)
Sábado: 10H00 > 12H00 e 17H00 > 19H00
Domingo: 10H00 > 12H00

PREÇO
Estágio Completo: 50€
Sábado e Domingo: 40€
Aulas Isoladas (apenas Sábado ou Domingo): 20€
Aulas de Sexta-feira: SMR Jodo / 15€ e Bukiwaza / 15€

INFORMAÇÔES
https://sayanouchi.wordpress.com · www.isshindojo.com
saya.uchi@yahoo.com · isshindojo.lx@gmail.com
+351 918228949

|Nota| Só serão assinadas cadernetas participando num mínimo de 2 aulas de Aikido ou Bukiwaza.

CAMPANHA 50% DESCONTO

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A partir de Abril, até ao final da época, o ISSHIN DOJO | LX Factory oferece 50% de DESCONTO na INSCRIÇÃO em qualquer uma das nossas disciplinas.
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AIKIDO
2f e 4f | 19H15 > 20H45

AIKIDO CRIANÇAS
2f e 4f | 18H15 > 19H15

JUDO
6f | 19H00 > 20H30

SHINTO MUSO RYU JODO
3f | 18H30 > 20H00 e Sáb. 11H00 > 12H30

TAI CHI
Sáb. 10H00 > 11H00

YOGA
3f e 5f | 13H00 > 14H00

TENCHI TESSEN
3f | 20H00 > 21H30 e Sáb. 15H30 > 17H00

SV WORKOUT
2f e 4f | 13H00 > 14H00

DANÇA CONTEMPORÂNEA
5f | 19H30 > 21H00

DANÇA CONTEMPORÂNEA CRIANÇAS
5f | 18H30 > 19H30

PILATES
6f | 13H00 > 14H00

MINDFULNESS (Meditação)
5f | 12H20 > 13H00


+INFO
ISSHIN DOJO | LX Factory
Edifício Principal, Sala 2.15C (2º Piso)
isshindojo.lx@gmail.com
[+351] 918 228 949
www.isshindojo.com

Uma Reflexão sobre a Fidelidade

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A curiosidade é uma característica humana. Bem orientada, é um saudável motor de aprendizagem e de crescimento. É, por isso, quase inevitável que qualquer praticante de Aikido, depois de um período inicial dedicado principalmente a perceber ao certo se é mesmo Aikido que quer fazer, acabe por sentir vontade de aprofundar os seus conhecimentos para lá das aulas regulares. É típica a pergunta sobre que livros ler, ou que coisas de interesse poderá encontrar online e que permitam levar mais longe os conhecimentos recebidos durante as duas ou três horas semanais de prática. O passo seguinte será a curiosidade de saber como ensinam outros professores, o que dizem, que diferenças existem entre o que aprende no seu dojo e o que se passa noutros.

Este último passo é frequentemente fonte de equívocos ou até de conflito, seja ele expresso ou não. Muitas vezes o aluno sente que poderá estar a trair a confiança do seu professor, outras vezes poderá ser o professor a, por alguma razão, sentir-se ofendido pela curiosidade do seu aluno. Haverá razão para a existência destes desencontros?

Comecemos por uma análise de tipo pedagógico. Seja no Aikido, seja em qualquer outra área de estudo, é evidente que não é vantajoso para um principiante andar a saltar de escola em escola, de professor em professor. É mais certo que se perca, que se baralhe e que faça a maior das confusões, com informações de natureza diversa, transmitidas por pessoas com diferentes níveis de conhecimento, orientações e características pessoais distintas. Mais ainda no caso do Aikido, que envolve um certo grau de risco físico que, sendo muito pequeno quando o corpo e a técnica estão razoavelmente dominados, é maior no início quando os primeiros passos estão a ser dados. Será, portanto, obrigação do professor responsável alertar os praticantes para as vantagens de, no início da sua aprendizagem, o aluno seguir uma linha coerente. Claro que o interessado em começar a sua prática tem todo o direito, diria mesmo a vantagem, em experimentar mais do que um local de ensino até se decidir onde ficará, mas essa é uma situação prévia a tudo o resto.

Na fase em que o aluno já tem um bom domínio da arte que pratica, não considero que haja qualquer problema em que vá a de vez em quando a uma aula noutro dojo, a um estágio de outra associação, a um workshop orientado por outro professor. Só terá a ganhar em perceber a riqueza que é a diversidade de pontos de vista e, havendo uma relação franca entre alunos e professores, em discutir e analizar com o seu instrutor aquilo que experimentou noutro lugar.

Numa fase ainda mais tardia, se o praticante começa a ter vontade de dar aulas, não só considero benéfico alargar horizontes, como acho mesmo que tem a obrigação, para com os seus alunos, de se formar e informar. Manter-se no seu mundo fechado, satisfeito com as conclusões a que chegou (ou a que alguém chegou por si) parece-me a receita perfeita para a estagnação e, a prazo, para a desmotivação.

Acreditando eu que é assim de um ponto de vista estritamente pedagógico, penso ao mesmo tempo que a escolha de um dojo e de um professor deverão ser um acto voluntário de adesão a um tipo de ensino e uma dinâmica de grupo específicas. Ou seja, e em linguagem mais popular, o praticante tem que saber o que quer. O par ensino/aprendizagem funciona bem se corresponder a um processo de troca. O professor terá que ser tão generoso na transmissão dos conhecimentos que tem, quanto o aluno mostrar vontade e capacidade de aprender. A adesão sincera, de parte a parte, a esta relação, fará afinal a diferença entre um aluno ou um “frequentador” de aulas, entre um professor e um mero prestador de serviços. Este último, detentor evidentemente da maior experiência, terá a capacidade de analizar as motivações do praticante diante de si e não deverá portanto ver as visitas dos seu alunos a outros dojo como uma falta de respeito. Um praticante consciente saberá distinguir os planos; saberá estabelecer a diferença entre um professor e “o seu professor”. E se um dia, fruto da sua procura, decide que gostaria mais de praticar sob a orientação de outro instrutor? Está no seu direito e, se a mudança for feita com o respeito devido a quem deu o melhor para o ensinar, não há motivo para melindre.

Por parte dos professores, há por vezes uma grande resistência em aceitar a liberdade de movimentos dos seus alunos. Isto acontece, quanto a mim, por dois motivos principais: ou uma visão do mundo e das artes marciais modernas a meu ver errada, ou uma insegurança pessoal que leva a ler como um ataque ou uma deserção cada movimento dos seus alunos fora do grupo de trabalho habitual. Devemos nós, professores, fazer um esforço por não cair em nenhuma destas duas situações.

Vivemos no século XXI, numa época em que a informação chega a toda a gente em quantidades nunca vistas ao longo da história, uma realidade que os fundadores das artes marciais modernas não conheceram nem da qual suspeitavam. Mesmo que no seu tempo a regra fosse a “fidelidade para a vida” a um professor ou a uma escola (realidade da qual duvido) tal não é pura e simplesmente possível de impôr nos dias de hoje. A fidelidade a uma linha de ensino, a existir, terá que resultar de uma adesão voluntária e não de uma obrigação.  Uma fidelidade fruto da liberdade e não de um constrangimento. E, afinal, se um aluno decide iniciar uma nova etapa da sua prática junto de outros e isso corresponde à sua vontade, não é melhor para o professor que tal aconteça em vez de ter junto de si um praticante com reserva mental?

Contra a insegurança é bastante mais difícil lutar, até porque é muito natural no início da carreira de um professor. A vontade de agradar e cativar os alunos, de sentir que o que se lhes transmite é fonte de prazer, aliada à falta de guias e conhecimentos pedagógicos que só a experiência traz, são fonte de insegurança para uma grande parte dos professores iniciados (arriscaria dizer a maioria). Com o passar do tempo, o mais natural é que a confiança no que se ensina e como se ensina ocupe o lugar dos medos. É desejável que assim seja pois só dessa forma o professor poderá ter do seu próprio ensino a imagem de um todo coerente e, logo, acreditar naquilo que faz. Se assim for, não haverá medo de perder praticantes, pois saberá que quem está diante de si, está porque quer e gosta do que aprende.

João Tinoco