Aikido

A via (Do) da harmonia (Ai) com o Ki ou “sopro”, “energia vital” — é assim que se poderá traduzir, de forma talvez imperfeita, a palavra Aikido (合気道).

O fundador do Aikido foi Morihei Ueshiba (O’Sensei), um homem nascido no Japão em 1883 e que, após anos de estudo do Jiujutsu e Kenjutsu de vários ryu (escolas), cria a sua própria arte de Budo, o Aikido. A mais visível das influências, ainda hoje, nesta arte é o Daitoryu Akijujutsu. Este, foi-lhe transmitido por Sokaku Takeda, um famoso mestre da época, que lhe deu também uma licença para ensinar, coisa que Ueshiba fez até seguir a sua própria via.

Fruto de uma espíritualidade profunda, Morihei Ueshiba tem como meta estabelecer um Budo que seja um veículo para a paz; um Budo cujas leis fossem as leis da natureza, do universo e em que, de um ponto de vista filosófico, a mera intenção de um ataque seja já uma derrota. Assim, o Aikido chega-nos como uma arte de “não-resistência”, tida aqui não como mera passividade, mas como aceitação do ataque de um adversário para, integrando-o no nosso movimento, podermos neutralizá-lo com o menor esforço possível.

O treino de Aikido compreende os trabalhos em Katamewaza (imobilizações), Nagewaza (projecções) e Bukiwaza (armas), cada um com características técnicas próprias, mas em estreita comunhão de princípios (centro, distância, tempo, intenção, respiração, etc.).

O grau de exigência dos treinos difere de acordo com o nível do praticante. Aprender a caír será a primeira prioridade, pois só asssim as técnicas de Aikido poderão ser efectuadas em segurança e, consequentemente, com prazer. A aquisição de bases técnicas sólidas será então o objectivo seguinte na construção de uma prática que não deve ser vaga, vazia, mas sincera para com o parceiro e, fundamentalmente, verdadeira para consigo próprio. Só então, muito mais tarde, poderá começar o trabalho de desconstrução do edifício, de libertação, visando a prática de um Aikido espontâneo, que seja a expressão de “si próprio”.

Anúncios