DANÇA CONTEMPORÂNEA | Aula Aberta

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A partir do mês de Março, O ISSHIN DOJO | LX Factory passa a contar com mais uma disciplina: a DANÇA CONTEMPORÂNEA. Nesse âmbito, irá promover no sábado dia 17 de Março, uma Aula Aberta desta disciplina sob a orientação da professora SOFIA FREIRE DIOGO.

Apareçam; a entrada é livre! Pedimos apenas que façam uma pré-inscrição através dos contactos indicados abaixo. Mais informações no evento: https://www.facebook.com/events/1869073006496073/

ISSHIN DOJO | LX Factory
17 de Março, sábado. 17H00 > 18H30
ENTRADA LIVRE
> Nível aberto
(trazer roupa confortável)
> Inscrição prévia para: isshindojo.lx@gmail.com ou +351 918 228 949

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Atelier de Tenchi Tessen no Isshin Dojo

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No passado domingo 25 de Fevereiro, organizámos no ISSHIN DOJO | LX Factory o nosso primeiro Atelier de TENCHI TESSEN orientado pela professora ANA OLIVEIRA. Pudemos contar neste evento, que teve como título “A Espiral Inspirada”, com um grupo animado de praticantes que incluía alguns já com muita experiencia lado a lado com principiantes.

Como o título indicava, trabalhou-se em profundidade o tema da espiral nesta arte de movimento, mas também, não menos profundamente, o papel da respiração durante a prática e a sua relação com a própria espiral.

Muito obrigado a todos os que participaram e muito em particular à ANA OLIVEIRA pelo excelente dia. Este foi o nosso primeiro Atelier, mas o segundo já está a ser preparado… e o terceiro também 🙂 Em breve daremos novidades.

Como gostamos de fazer nestas ocasiões, deixamos uma recordação do evento. Aqui ficam portanto algumas imagens.

 

O MITO DA EFICÁCIA

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Começo por propor o seguinte exercício: Veja as imagens abaixo. Faça, de cabeça, uma lista das artes marciais que conhece e que pode encontrar num clube ou num ginásio perto de si. Agora tente associar cada uma das artes de que se lembrou a uma ou duas destas fotografias. Conseguiu? Quais destas imagens se parecem com a ideia que tem de uma aula ou treino de artes marciais?

Suspeito que chegará à mesma conclusão que eu: não há grande relação entre uma coisa e outra. E no entanto, milhares de pessoas, crianças, jovens e adultos, homens e mulheres, continuam diariamente a praticar Judo, Karate, Aikido, Jiu-Jitsu, Taekwondo, Kung Fu e uma enorme quantidade de artes de luta mais ou menos antigas, com mais ou menos tradições.

E porque é que temos hoje tantas artes e tão diferenciadas? Fundamentalmente, e não falando já de razões de ordem filosófica ou espiritual, porque treinamos formas que nasceram com finalidades diversas em contextos distintos e porque, fundamentalmente, treinamos apenas segmentos daquilo que seriam tradições de combate complexas e multifacetadas. Treinemos por que razão treinemos, fazemo-lo ao fim do dia duas ou três vezes por semana, ou aproveitando o intervalo para almoço entre duas reuniões. Um koryu (antiga escola) japonês, por exemplo, era em regra geral composto por técnicas de combate com várias armas e podia incluir, ou não, formas de combate corpo a corpo que iam desde as formas simples de luta às técnicas para derrubar e atar um prisioneiro ou ao combate dentro de água. Um universo, portanto, muito diferente daquele no qual nos movemos e que, a ser replicado, exigiria que lhe disponibilizássemos muito mais do que os tempos livres.

Assim sendo, faz sentido a pergunta que, como professor de Aikido, frequentemente oiço acerca da eficácia da minha disciplina? Será o Aikido eficaz? A resposta a esta pergunta só pode ser outra pergunta: Eficaz para quê?

Vejamos o que nos diz o dicionário acerca do conceito de eficácia:

eficácia
1. qualidade do que produz o efeito esperado; qualidade do que é eficaz
2. capacidade de cumprir os objetivos pretendidos
3. força para produzir determinados efeitos
(Infopédia)

Como vemos nos pontos acima, há em todos eles a ideia de cumprir uma meta proposta, seja ela qual for, sem nunca definir um tipo particular de objectivo. Ora, a ideia de eficácia que quem geralmente faz esta pergunta tem na cabeça, está frequentemente associada à ideia de vitória. Alguma coisa só será eficaz se se superiorizar a outra. No caso do Aikido, é como se me perguntassem “estudando Aikido consigo vencer uma luta na rua?”

Acontece que “uma luta de rua” é uma coisa que não existe. Existem, sim, lutas de rua com as mais diversas formas, e daí a resposta que referi acima: “Eficaz para quê?” Para lutar a soco e pontapé com um alguém que nos quer assaltar? Para nos desenvencilharmos de um ataque de um grupo? E quem nos ameaça, está armado? Com que tipo de arma? Uma pistola ou uma arma branca? E se eu cair no chão? E se estiver com alguém cuja vida tenho que proteger tanto como a minha?

É fácil de compreender que nada do que se estuda nos prepara para todas as situações. Algumas das artes a que temos acesso hoje em dia estudarão eventualmente situações mais orientadas para aqui ou para ali, outras estudarão princípios gerais que podem ou não ser aplicados, outras são apenas desportos. Em todas elas estaremos sujeitos a um factor muito importante: Regras, sejam elas as do desporto ou de segurança no dojo. Naquilo a que geralmente os candidatos a artista marcial chamam “realidade” ou “rua”, não há regras e isso faz toda a diferença. Dificilmente três horas por semana num ginásio nos prepararão para tal coisa.

Teremos então que esquecer o conceito de eficácia? Não necessariamente. Há muitos anos ouvi um grande mestre de Karate, um 8º Dan já de idade avançada, dizer num estágio: “O Karate serve para eu me tornar um melhor Ser Humano”. Para este homem, a eficácia da arte que praticava estava muito para além de conseguir derrotar alguém “numa situação real”. Seria tanto mais eficaz quanto melhor pessoa se tornasse. E para cada um, cada arte poderá ser eficaz de forma diferente. Para perder o medo, para melhorar a coordenação motora, para melhorar a autoconfiança, para reduzir o stress. E evidentemente, se se quiser, para aprender a combater em determinadas circunstâncias. Mas só nessas.

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Mais do que pensar na eficácia, gostava que quem procura uma arte marcial o fizesse acima de tudo porque dela retira prazer. Quando escolhemos uma actividade para ocupar o pouco tempo que temos livre, devemos acima de tudo escolhê-la como se escolhe a roupa que se usa. Temos que nos sentir confortáveis com ela ao ponto de não nos lembrarmos que a temos vestida.

As artes marciais podem ser um veículo de valores, nomeadamente nas aulas dirigidas a crianças, uma forma de descobrir e trabalhar o corpo ao mesmo tempo que se trabalha a mente ou uma porta para conhecer outras culturas e formas de ver o mundo. Poderá ser uma excelente fonte de prazer e de desenvolvimento pessoal, muito para além da preocupação com a vitória sobre um inimigo que, em última análise, poderá até nunca surgir.

João Tinoco
Instrutor de Aikido, 4º Dan Aikikai

AIKIDO | Semana de Aulas Abertas no GINÁSIO CLUBE PORTUGUÊS

Aulas abertas Aikido Fevereiro 2018_Page_2Nos  próximos dias 19, 21 e 23 de Fevereiro, as aulas de AIKIDO do GINÁSIO CLUBE PORTUGUÊS são abertas a todos os interessados em participar, tenham ou não experiência.

Para fazer uma aula connosco, basta aparecer um pouco antes e contactar a recepção do clube onde todas as informações necessárias serão dadas. As aulas têm o seguinte horário:

Segundas, quartas e sextas, das 12H30 às 13H30 (Gin. 43)

Aqui fica o convite para participar e divulgar!

Kagami Biraki 2018

No passado domingo dia 21 de Janeiro, organizámos no ISSHIN DOJO | LX Factory o nosso Kagami Biraki, a festa de ano novo japonesa que se comemora nos dojos um pouco por todo o mundo. Para nós, foi uma ocasião para uma verdadeira festa de família.

Começámos com uma prática de Aikido aberta a todas as idades, com crianças e mais velhos a terem a oportunidade rara de praticar juntos. Alguma vergonha inicial por parte dos mais novos, que tinham a missão de escolher um parceiro mais velho, foi rapidamente vencida e a prática correu sobre rodas. No fim, o habitual jogo foi reservado apenas aos mais pequenos.

A seguir vieram as demonstrações das classes de Aikido, Tenchi Tessen e Shinto Muso Ryu Jodo. Foi a oportunidade de todos os alunos mostrarem um pouco do que fazem nas respectivas aulas, sem outra preocupação que não fosse ter prazer nos movimentos que apresentaram.

A tarde acabou com um pic-nic no tapete. Cada participante trouxe um contributo para o lanche, partilhado por budocas, amigos e famíliares que se quiseram juntar a nós.

Aqui ficam algumas imagens de um dia muito bem passado!

JUDO | Tradicional, não competitivo

 

judo_isshindojoO Ano de 2018 vai chegar com uma grande novidade no ISSHIN DOJO | LX Factory: o JUDO, na sua vertente não competitiva.

As aulas serão orientadas por Manuel Martins, 7º Dan e nelas serão focados alguns aspectos menos estudados desta disciplina, a par de muitos dos conhecimentos que estão na sua base e são, nos dias de hoje, menos divulgados.

Mais informações:
http://www.isshindojo.com | isshindojo.lx@gmail.com | (+351) 918 228 949

O SENTIDO DO AIKIDO HOJE

Os meus primeiros estágios de Aikido, há já mais de vinte anos, foram os estágios orientados pelo Mestre Georges Stobbaerts no Ten Chi, na Várzea de Sintra. O tapete era enorme e o Mestre gostava de fazer as saudações no início e fim das aulas com todos os participantes alinhados à volta do tapete, em forma de “u”, em vez da mais comum forma em linhas paralelas de acordo com a orientação do dojo. Usávamos cintos coloridos, do branco ao preto, o que permitia ver perfeitamente o número de alunos por cada grau. Muitos cintos brancos — os iniciados — e uma quantidade cada vez menor de alunos por cada grupo de cores, até chegar ao cinto castanho. A seguir vinham os cintos pretos, que usavam um hakama1 também preto e eram novamente um pouco mais por terem no seu seio um conjunto grande de diferentes graduações. Da leitura deste “u” que todos formávamos, facilmente se concluía que apenas uma pequena parte dos praticantes chegaria um dia a yudansha2 e que a grande maioria dos participantes nos estágios era de principiantes ou gente ainda com pouca experiência.

D61_0468_b.jpgO cenário mudou radicalmente de então para os dias de hoje. Seja qual for a escola ou grupo que organize um estágio de Aikido, invariavelmente o tapete está cheio de praticantes avançados e os cintos brancos ou coloridos3 são uma evidente minoria. Qual a razão para esta diferença? A resposta parece-me óbvia, por mais dura que possa ser para um professor de Aikido: não há entrada de novos praticantes em número suficiente para compensar os que abandonam a disciplina. Os praticantes mais avançados, para quem o Aikido tem já um lugar importante na sua vida continuam a prática, mas não há uma procura que compense as desistências a meio do percurso, normais em qualquer arte marcial. E este fenómeno não é apenas português; é internacional.

Há então que enfrentar a realidade: o Aikido perdeu nos últimos tempos grande parte do seu poder de atracção e esta quebra tem as suas razões.

Vivemos numa sociedade ao mesmo tempo muito competitiva e desespiritualizada (não estou certo que o termo exista). A competição é estimulada desde os primeiros anos de escola e aceite como forma de organizar o trabalho e a vida. Simultaneamente, as manifestações de vida espiritual — sejam religiosas ou outras — são desvalorizadas ou substituídas por produtos de auto-ajuda ou prometedores de um conforto emocional rápido (e evidentemente falso). Ora, nos últimos anos têm aparecido inúmeras disciplinas no campo das artes marciais que oferecem eficácia — falaremos mais à frente do que isso é — em pouco tempo e com uma aplicação prática mais evidente. Para já não falar do crescimento dos chamados desportos de combate, alguns deles modalidades olímpicas, que oferecem o aspecto competitivo que o Aikido não tem. No caso de Portugal, com a particularidade de, nos últimos anos, se terem conseguido resultados de nível internacional, naturalmente mobilizadores para os mais jovens e seus pais.

Neste cenário, o Aikido está aparentemente num beco sem saída. Se no início da sua expansão pelo ocidente oferecia a novidade de uma prática marcial suportada por um trabalho espiritual, de transformação pessoal e de visão do mundo — por mais diferentes que fossem as suas variantes — essa oferta parece não ter hoje muitos destinatários. Por outro lado, face às novas promessas de artes com aplicação prática simples e resultados imediatos, ou face às disciplinas desportivas competitivas, o Aikido parece não ter nada a oferecer. Aparentemente, propõe algo que as pessoas não querem, exigindo em troca o que não têm: paciência e um gosto pelo caminho maior do que pelo destino.

No Aikido não existem progressões rápidas. Mais do que situações concretas como “a um ataque do tipo X responde-se da forma Y”, trabalham-se princípios aplicáveis de forma diferente em diferentes situações. Educa-se o corpo e a mente através de um trabalho do movimento e de todos os elementos que o compõem (deslocação, respiração, concentração…) Não é portanto possível exigir resultados rápidos e esses mesmos resultados, não havendo competições nem metas definidas no tempo, dependerão dos objectivos de cada praticante. Mais ainda, as técnicas de Aikido são deliberadamente trabalhadas por forma a não provocar danos no parceiro de prática o que é, aparentemente, um paradoxo difícil de resolver.

O Aikido é, por tudo isto, visto muitas vezes como uma arte ineficaz. Este conceito é no entanto uma grande armadilha uma vez que, e logo à partida, a eficácia de qualquer actividade só pode ser medida tendo em conta os seus objectivos. Se o objectivo for, num mês, treinar um soldado para um cenário de guerra, o Aikido é muito provavelmente ineficaz. Se o objectivo for, através do estudo de uma arte marcial, melhorar a autoconfiança ou a concentração, talvez seja realmente eficaz.

Cabem-nos portanto a nós, professores, duas tarefas: Uma, ser pacientes e aceitar que o panorama por agora é este mas que as coisas não vão ser assim sempre. Outra, fazer tudo o que está ao nosso alcance para mostrar a quantidade de coisas que a nossa arte tem para oferecer e que, mesmo à luz dos nossos dias, tem validade, quem sabe até mais do que nunca. E o trabalho no tapete, com os alunos que investem connosco algum do seu tempo é talvez a melhor ferramenta de divulgação. É essencial que aquilo que ensinamos seja sentido como importante por quem pratica e, não tendo na manga um estrangulamento que resulta sempre ou uma medalha para o melhor, aquilo que importa terá de ser de outra natureza. Para as crianças o Aikido deverá ser uma ferramenta auxiliar na sua formação e para todos, grandes e pequenos, terá que trazer qualquer coisa mais que nos ajude a crescer, sentir integrados, enfim, que faça de nós melhores Seres Humanos.

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Morihei Ueshiba, o fundador do Aikido

Devemos procurar que a transmissão seja feita de uma forma adequada aos tempos, sem no entanto desvirtuar o Aikido que chegou até nós (nas suas diversas leituras). O respeito pelo passado deve ser mantido, mas de maneira a que aquilo que nos foi transmitido tenha uma utilidade no presente. Enquanto veículos da nossa arte, devemos procurar manter-nos actualizados por forma a melhorar sempre e de novo, não só a forma como ensinamos mas também também a nossa própria compreensão do que transmitimos. É uma questão de honestidade para com quem nos ouve e em si mesmo uma expressão de um dos fundamentos do Aikido: a adaptabilidade.

João Tinoco

  1. Calças largas com pregas com origem na indumentária dos samurai.
  2. Praticante que possui um grau Dan.
  3. Em algumas escolas os praticantes com graus Kyu usam cintos coloridos, noutras apenas se usa o cinto branco para Kyu e preto para Dan.